Senador é alvo de busca e apreensão determinada pelo STF por suspeita de receber mesada milionária do dono do Master em troca de atuação favorável ao banco no Congresso.
Brasília (DF), 7 de maio de 2026 — O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Partido Progressistas, foi alvo nesta quinta-feira (7) de mandado de busca e apreensão emitido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A operação integra a quinta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), e alcançou ainda outras nove localidades nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
De acordo com a investigação, uma emenda assinada pelo parlamentar teria sido redigida pela própria assessoria do Banco Master e repassada ao senador por meio de um envelope endereçado à sua residência. Após a divulgação da proposta, o dono da instituição, Daniel Vorcaro, teria celebrado o resultado afirmando que o texto saiu exatamente como havia determinado.
Conhecida como “emenda Master”, a proposta surgiu no âmbito de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da autonomia do Banco Central e buscava ampliar o valor de cada investimento coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Atualmente, o limite é de R$ 250 mil por investidor. A emenda pretendia elevar esse teto para R$ 1 milhão. Segundo interlocutores ouvidos pela PF, a mudança teria impacto direto na atratividade de bancos que utilizam a garantia do FGC como argumento comercial, chegando a multiplicar os lucros da instituição. A emenda, no entanto, foi rejeitada no parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM).
A investigação aponta ainda pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador, disfarçados por meio de uma parceria entre empresas ligadas à família Nogueira e à BRGD S.A., além do custeio de viagens internacionais com hospedagens e refeições em estabelecimentos de alto padrão e a compra da empresa Green Investimentos por R$ 1 milhão, mesmo valendo R$ 13 milhões. O irmão do senador, Raimundo Nogueira, também figura entre os alvos da operação.
