Manaus – Reunindo lideranças de múltiplos setores para celebrar o avanço e a representatividade feminina no estado, a Associação de Mulheres Profissionais do Amazonas (AMPAM) realizou, na segunda-feira (30), uma solenidade no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM). O encontro serviu de palco para homenagear 15 mulheres que têm transformado suas áreas de atuação, abrangendo desde a saúde e a comunicação até a gestão pública e o empreendedorismo.
O ponto alto de emoção e reflexão da noite ficou por conta da homenagem prestada à juíza aposentada Maria Eunice Torres do Nascimento. Natural de Itacoatiara, a magistrada construiu uma trajetória brilhante e exemplar de mais de três décadas dedicadas à legalidade e ao serviço público no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Ao subir ao palco, Eunice Torres não apenas recebeu as honras por seu legado irretocável, mas também transformou seu momento de fala em um manifesto vibrante pelo futuro dos direitos das mulheres. Em um discurso contundente e muito aplaudido, a magistrada enfatizou que o caminho percorrido até aqui é importante, mas que a caminhada rumo à verdadeira igualdade ainda exige fôlego e coragem. Ela fez uma convocação aberta e enérgica, alertando que conquistas estruturais não são alcançadas por esforços isolados, e chamou todas as mulheres presentes a somarem forças e participarem ativamente dos movimentos de mudança.
A tônica de evolução e união defendida pela juíza foi respaldada pelas palavras da presidente da AMPAM, a engenheira Kelly Ambrósio. A dirigente apresentou um panorama animador sobre a ocupação de espaços de poder, citando que as mulheres já somam cerca de 57% das matrículas no ensino superior brasileiro. Essa transformação também redesenha as engenharias: no grupo de profissionais com menos de 30 anos monitorados pelo Confea, a presença feminina saltou para 33%, superando drasticamente os 12% da geração que hoje possui mais de 60 anos. Ambrósio ainda celebrou o ano de 2026 como histórico, ressaltando que mais de 60% dos cargos de liderança no Conselho Federal estão sob comando feminino, além de a instituição contar com uma mulher em sua vice-presidência pela segunda vez em quase um século.
Contudo, o evento não se esquivou de debates urgentes. Kelly Ambrósio traçou um forte contraste entre o sucesso profissional e os índices alarmantes de violência doméstica no mundo, onde uma mulher é morta a cada 10 minutos. Como resposta prática do setor a essa realidade, ela lembrou que o Sistema Confea/Crea, alinhado a outras instituições, passou a adotar a regra de inelegibilidade para profissionais que sejam agressores domésticos.
A cerimônia foi encerrada com a entrega de placas e homenagens a outras 14 mulheres de destaque no Amazonas: Alzira Miranda (presidente do CREA), Aryel Almeida (médica e política), Priscila Ambrosio (secretária de Obras de São Gabriel da Cachoeira), Jociele Oliveira (make designer), Francilene Bezerra (comandante da Guarda Municipal de Manaus), Suely Ambrosio Oliveira Lobo (vereadora e representante da OAB), Kátia Couceiro (vice-reitora da UEA), Shádia Fraxe (secretária da Semsa Manaus), Viviana Lira (secretária do Fundo Manaus Solidária), Shirley Assis (jornalista), Romina Santos (presidente do IAMAP), Cileide Moussalem (empresária da Comunicação), Sara Fernandes (psicóloga do Hospital Tropical) e Elaine Moura (chefe de cozinha).
