A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) deixaram claro para a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro precisa ir muito além do que já foi descoberto. As equipes de investigação avisaram que esperam um conjunto de provas inédito — e que a negociação vai durar o tempo que for necessário. Segundo fontes com acesso às tratativas, há ceticismo entre os investigadores sobre a capacidade de Vorcaro em entregar informações verdadeiramente relevantes, dado o volume expressivo de provas já colhidas até o momento, incluindo dados extraídos do próprio celular do banqueiro.
Três nós a desatar
Três pontos seguem como os mais sensíveis para o fechamento do acordo: o tempo de prisão que Vorcaro terá de cumprir, o valor total do ressarcimento exigido e a possível inclusão de informações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal no escopo da delação. A defesa ainda está elaborando a lista de temas que serão abordados nos depoimentos.
Decisão de Moraes pode mudar o jogo
Em meio às negociações, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes nesta semana trouxe um novo elemento ao cenário. Ao descongelar uma ação do PT que estava parada há cinco anos, o magistrado abriu caminho para mudanças nas regras das delações premiadas — o que pode anular ou limitar os efeitos de qualquer acordo que venha a ser firmado por Vorcaro. Para analistas políticos, trata-se de uma ameaça concreta à colaboração do banqueiro.
